Cientistas redesenham os reflexos do El Niño na agricultura brasileira com foco em perdas de safra.

O fenômeno climático El Niño está redesenhando o mapa da produção agrícola brasileira, redistribuindo chuvas e calor pelo país. Na safra 2023/2024, o setor registrou uma queda de 21,4 milhões de toneladas de grãos devido à intensidade do evento climático.

A agricultura nacional responde por 25% do PIB do país, tornando o setor altamente vulnerável às variações extremas do clima. Os dados oficiais sobre as perdas foram consolidados pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, com apoio do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada.

Para entender e prever essas oscilações, especialistas utilizam um arsenal científico que avalia solos, genética e manejo, conforme informação divulgada por pesuisa.

Impacto do El Niño no setor sucroenergético

As preocupações com o clima aumentaram após um alerta do Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos sobre a intensidade do fenômeno para os próximos anos. Setores como a cana-de-açúcar já projetam prejuízos diretos na colheita e no teor de sacarose devido ao excesso de chuvas.

Segundo Francisco César Urenha, diretor-presidente executivo da Copercana, as mudanças climáticas afetam diretamente os negócios dos fornecedores de cana. A interferência do tempo na moagem compromete a qualidade da matéria-prima e o faturamento dos produtores.

Regiões brasileiras enfrentam extremos climáticos

Os reflexos do aquecimento das águas do Pacífico variam drasticamente entre as regiões brasileiras, criando cenários opostos para o agronegócio. No Sul, o fenômeno aumenta o volume de chuvas, enquanto no Norte e no Nordeste favorece secas severas.

No Centro-Oeste e no Sudeste, as marcas registradas do período são temperaturas acima da média e ondas de calor. Culturas como soja, milho e pastagens respondem de maneira distinta a essa redistribuição de água e energia em cada lavoura.

Importância da soja e do milho na economia

A soja lidera o ranking de valor da produção agrícola brasileira, alcançando resultados expressivos na balança comercial com o apoio do Ministério da Agricultura. Em 2025, o grão registrou uma safra recorde e consolidou sua posição econômica no país.

O milho ocupa a segunda posição no volume de produção de grãos, seguido por cana-de-açúcar, café e algodão. A Pesquisa Agrícola Municipal do IBGE detalha o peso financeiro dessas culturas para o mercado interno e externo.

O papel fundamental da qualidade do solo

O impacto do clima depende diretamente das características edáficas, como textura, estrutura e profundidade do solo. Solos bem drenados aproveitam melhor as chuvas, enquanto solos compactados prejudicam a oxigenação das raízes e favorecem pragas.

Conforme explica Carlos Eduardo Pellegrino Cerri, professor da Esalq-USP e coordenador do CCarbon, o tipo de manejo e a topografia influenciam a resistência das lavouras. Práticas agrícolas sustentáveis ajudam as plantas a atravessarem períodos secos ou chuvosos com menor prejuízo.

Perguntas Frequentes

O que é o El Niño e como ele afeta a agricultura brasileira?

O El Niño é o aquecimento das águas do Pacífico que altera correntes marítimas e redistribui chuvas e calor, impactando a produtividade de grãos e o PIB do agro.

Quais culturas agrícolas sofrem mais com o fenômeno?

Soja, milho, cana-de-açúcar, café e pastagens sentem os efeitos de forma variada, dependendo da região geográfica e da capacidade de drenagem do solo.

Como os agricultores podem se antecipar aos efeitos do El Niño?

Os produtores utilizam pesquisas científicas, análises de solo, sistemas de manejo sustentável e previsões climáticas internacionais para mitigar perdas nas lavouras.