Pesquisadores brasileiros criam tecnologia inédita para monitorar riscos espaciais na Sama.

Cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) estão desenvolvendo instrumentos inovadores voltados para satélites, com a missão central de estudar detalhadamente a Anomalia Magnética do Atlântico Sul, conhecida pela sigla Sama.

O projeto ganha relevância porque a região apresenta um campo magnético terrestre significativamente mais fraco, abrangendo parte do território sul-americano, do próprio oceano Atlântico Sul e também o continente africano, conforme informação divulgada por CIÊNCIA.

A iniciativa tecnológica busca antecipar e mitigar os perigos enfrentados por equipamentos orbitais, garantindo a estabilidade dos serviços essenciais de telecomunicação e geolocalização que dependem diretamente desses engenhos espaciais no cotidiano moderno.

Riscos das tempestades geomagnéticas na ionosfera

O escudo magnético natural do planeta Terra é fundamental para desviar partículas solares e preservar a atmosfera, mas eventos extremos como as tempestades geomagnéticas conseguem perturbar a ionosfera e prejudicar os sinais de rádio e sistemas de navegação como o GPS.

Segundo a pesquisadora Emília Correa, do Inpe, os distúrbios provocam a perda de sintonia e afetam a precisão dos aparelhos que dependem de sinais cruzando essa camada atmosférica, tornando indispensável adotar medidas preventivas rápidas por parte dos operadores.

Ações como o recolhimento de painéis solares ou o desligamento temporário de instrumentos internos ajudam a mitigar danos, sendo procedimentos vitais principalmente para os satélites que operam na zona da Anomalia Magnética do Atlântico Sul.

Previsão do clima espacial e fluxo de elétrons

Para entender como as partículas carregadas penetram camadas mais baixas da atmosfera na Sama, a equipe liderada pela pesquisadora Livia Ribeiro Alves no Inpe trabalha na criação de sensores específicos para mensurar o fluxo de elétrons e prever eventos climáticos espaciais.

A analogia utilizada pelos especialistas compara o monitoramento à previsão de chuvas, pois, embora o fenômeno natural não possa ser evitado, conhecer o volume exato e a localização da precipitação de partículas permite planejar estratégias eficazes de blindagem e proteção.

O projeto investiga ainda a interação entre as partículas aprisionadas nos cinturões de radiação e as ondas whistler, que possuem a frequência necessária para desestabilizar os elétrons e provocar a queda diretamente sobre a área da anomalia magnética brasileira.

Novos instrumentos para missões espaciais futuras

Como os satélites atuais geralmente operam em órbitas mais altas ou carregam tecnologias voltadas para imageamento e meteorologia tradicional, o grupo do Inpe projeta novos instrumentos científicos capazes de resistir à intensa radiação e operar com menor proteção magnética.

Os dispositivos passam por rigorosos testes de comportamento eletrônico, variação de temperatura e radiação em ambientes controlados, visando sua futura integração em missões espaciais de destaque como o programa binacional CBERS e o telescópio Galileo.

A pesquisadora Livia Ribeiro Alves reforça o protagonismo nacional na área, destacando que o Brasil possui interesse primordial no estudo da anomalia por ela estar situada diretamente acima do país, exigindo autonomia tecnológica e desenvolvimento científico próprio.

Perguntas Frequentes

O que é a Anomalia Magnética do Atlântico Sul (Sama)?

É uma região onde o campo magnético da Terra é consideravelmente mais fraco, cobrindo parte da América do Sul, do Atlântico Sul e da África, expondo satélites a maiores riscos de radiação.

Como o Inpe pretende estudar a Sama?

O Inpe está desenvolvendo instrumentos inovadores para satélites capazes de medir o fluxo de elétrons e monitorar a precipitação de partículas carregadas na ionosfera.

Quais sistemas terrestres podem ser afetados pelas tempestades espaciais?

Sistemas baseados em satélites, como redes de telecomunicações e a precisão de navegação de sistemas de geolocalização como o GPS, sofrem impactos negativos durante tempestades geomagnéticas.